Pontos e Vírgulas ................................. 2002

 

Frevo e Maracatu

Frevo

Dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho, parafuso, pontilhado, ponta-de-pé e calcanhar, saci-pererê, abanando, caindo-nas-molas e pernada. Estes são os principais passos de uma dança e música que representam uma das características mais marcantes e únicas do carnaval recifense, o frevo. A palavra surgiu do termo "ferver", mostrando toda a agitação que acompanha este ritmo totalmente urbano e popular, que surgiu nas ruas do Recife em fins do século XIX.

A primeira referência escrita da palavra apareceu no jornal Pequeno, uma publicação vespertina do Recife em sua edição de 12 de fevereiro de 1908. O frevo é uma criação de compositores de música ligeira, especifica para o carnaval. Os passos que acompanham essa música rápida são muitas vezes improvisados, porém sempre elaborados, saltos e acrobáticos, exigindo anos de  treino do passista para se chegar a perfeição. Ao longo do tempo, o frevo sofreu muitas influência, podendo ser dividido em frevo-de-rua, frevo canção e frevo-de-bloco.

A origem dos passistas está nos capoeiras que seguiam na frente das bandas de música praticando a capoeira. O elemento mais característico do frevo quando se dança é a sombrinha. Usada para dar equilíbrio ao passista, a sombrinha tem sua origem nos guarda-chuvas usado pelos capoeiristas que precisam ter à mão uma arma para ataque e defesa, pois a capoeira era proibida.

Maracatu

Na linguagem popular, a palavra "maracatu" tem o significado de confusão, desarrumação. Ainda nos tempos do Brasil colonial, os negros reuniam-se nos pátios das igrejas para realizar festas em homenagem a um dos Reis Magos, o rei negro, Baltazar. Para avisar a chegada da polícia, que reprimia essas manifestações, os tambores tocavam algo que soava como maracatu / maracatu / maracatu. Daí surgiu o termo que hoje designa os cortejos nos dias de carnaval em homenagem    aos orixás.

O maracatu de baque virado ou  nação tem como seguidores os devotos dos cultos afro-brasileiros da linha nagô. Enrtre os seus elementos, está a boneca que se chama calunga e que encarna a divindade dos orixás. O maracatu de baque virado possui ainda personagens como o rei, a rainha, a dama de honra da rainha, a dama de honra do rei e outros tantos que fazem do cortejo um dos mais tradicionais e genuínos rituais do carnaval de pernambucano.

Já o chamado maracatu de baque solto, também conhecido como maracatu de orquesta ou rural, tem origem na segunda metade do século XIX, com os grupos conhecidos como cambindas, uma brincadeira na qual os homens vestem-se de mulher. No cortejo do maracatu de baque solto não existem os personagens do rei e da rainha como no maracatu de baque virado. Inconfundível é o som do chocalho, um dos elementos mais importantes para o personagem principal que é o caboclo de lança. O rosto pintado de urucum, o lenço estampado na testa, lança em punho e chocalho nas costas. Assim o caboclo está pronto para os festejos do maracatu de baque virado.

Coleção Carnaval de Pernambuco - Publicado no Jornal do Comércio dias 05 e 06.02.05

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