|
Frevo
Dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho, parafuso, pontilhado,
ponta-de-pé e calcanhar, saci-pererê, abanando, caindo-nas-molas
e pernada. Estes são os principais passos de uma dança e música que
representam uma das características mais marcantes e únicas do carnaval
recifense, o frevo. A palavra surgiu do termo "ferver",
mostrando toda a agitação que acompanha este ritmo totalmente urbano e
popular, que surgiu nas ruas do Recife em fins do século XIX.
A primeira referência escrita da palavra apareceu no jornal Pequeno, uma
publicação vespertina do Recife em sua edição de 12 de fevereiro de
1908. O frevo é uma criação de compositores de música ligeira,
especifica para o carnaval. Os passos que acompanham essa música rápida
são muitas vezes improvisados, porém sempre elaborados, saltos e
acrobáticos, exigindo anos de treino do passista para se chegar a
perfeição. Ao longo do tempo, o frevo sofreu muitas influência, podendo
ser dividido em frevo-de-rua, frevo canção e frevo-de-bloco.
A origem dos passistas está nos capoeiras que seguiam na frente das
bandas de música praticando a capoeira. O elemento mais característico
do frevo quando se dança é a sombrinha. Usada para dar equilíbrio ao
passista, a sombrinha tem sua origem nos guarda-chuvas usado pelos
capoeiristas que precisam ter à mão uma arma para ataque e defesa, pois
a capoeira era proibida.
Maracatu
Na linguagem popular, a palavra "maracatu" tem o significado
de confusão, desarrumação. Ainda nos tempos do Brasil colonial, os
negros reuniam-se nos pátios das igrejas para realizar festas em
homenagem a um dos Reis Magos, o rei negro, Baltazar. Para avisar a
chegada da polícia, que reprimia essas manifestações, os tambores
tocavam algo que soava como maracatu / maracatu / maracatu. Daí
surgiu o termo que hoje designa os cortejos nos dias de carnaval em
homenagem aos orixás.
O maracatu de baque virado ou nação tem como seguidores os
devotos dos cultos afro-brasileiros da linha nagô. Enrtre os seus
elementos, está a boneca que se chama calunga e que encarna a divindade
dos orixás. O maracatu de baque virado possui ainda personagens como o
rei, a rainha, a dama de honra da rainha, a dama de honra do rei e outros
tantos que fazem do cortejo um dos mais tradicionais e genuínos rituais
do carnaval de pernambucano.
Já o chamado maracatu de baque solto, também conhecido como maracatu
de orquesta ou rural, tem origem na segunda metade do século XIX, com os
grupos conhecidos como cambindas, uma brincadeira na qual os homens
vestem-se de mulher. No cortejo do maracatu de baque solto não existem os
personagens do rei e da rainha como no maracatu de baque virado.
Inconfundível é o som do chocalho, um dos elementos mais importantes
para o personagem principal que é o caboclo de lança. O rosto pintado de
urucum, o lenço estampado na testa, lança em punho e chocalho nas
costas. Assim o caboclo está pronto para os festejos do maracatu de baque
virado.
| Coleção Carnaval de
Pernambuco - Publicado no Jornal do Comércio dias 05 e 06.02.05 |
|