Pontos e Vírgulas ................................. 2002

 

 Quer melhores resultados na vida?  Pense como McGyver: procure o clipe

Se fizermos uma lista das características dos empresários, executivos ou pessoas vencedoras em geral, acabaremos com uma lista que se parece muito com a descrição de um super-herói. Para vencer com o ambiente que nos rodeia, só um super-herói mesmo. 

Acontece que estamos acostumados a super-heróis com super-poderes, roupinhas justas em corpos musculosos, capas coloridas esvoaçantes e botinha de gosto duvidoso.

Então ninguém acha que é um super-herói – nós não voamos, não subimos em paredes, nem temos visão raio-x. Super-heróis são sempre os outros – uma coisa distante que vemos em revistas ou na televisão. 

Mas o heroísmo é uma coisa muito comum: acontece todos os dias, do nosso lado, e não reparamos.     Aliás, muitas vezes nem valorizamos. Pais que criam seus filhos de maneira equilibrada, mesmo com todo   o desequilíbrio à nossa volta: são heróis. Uma pessoa que tem um problema grave de saúde, luta pela sua recuperação e continua tendo uma vida produtiva: é uma heroína. Alguém que perde tudo, começa novamente, tropeça e finalmente consegue vencer: é mais um herói. 

Heroísmo não tem nada a ver com capas, poderes ou músculos. Minha definição de herói moderno é o McGyver.  O McGayver entre numa sala e todas as portas se trancam;

A sala começa a se encher de água e ele obviamente vai morrer afogado. Enquanto a maioria das pessoas começaria e se lamentar, reclamando da vida e de como a água está fria, o McGyver procura um clipe, um chiclete e um barbante. E foge. 

É uma questão simples de foco. Heroísmo é ter o foco na solução, não no problema. É usar todos os recursos disponíveis para resolver esse problema. É procurar o clipe ( e tem sempre um clipe ) enquanto todos reclamam da água fria subindo. 

Se você perguntar para qualquer líder qual é o bem mais valioso da sua empresa, ele provavelmente vai responder que é sua equipe de funcionários, e que a cultura organizacional desenvolvida pela empresa é uma forma de vantagem competitiva. Algo como ‘ o jeito que fazemos as coisas aqui’. Todo mundo acha   que seu jeito é o certo e raramente querem mudar – a não ser que se comece a perder dinheiro. Aí é um deus nos acuda, em que não existem mais regras – tudo pode mudar. 

Porém, é interessante notar que mesmo dentro da própria empresa existem vários graus de motivação e comprometimento. Na verdade, existem muitas vezes pessoas ou departamentos inteiros que, de tão desmotivados, são uma força subversiva a favor da concorrência. 

Logo, podemos concluir que não existe apenas uma cultura dentro de uma empresa – existem várias. Algumas trabalham a favor, outras contra, outras não ajudam nem atrapalham. 

Se todo mundo concorda que o capital humano ou intelectual é o principal diferencial competitivo dos próximos anos, então qualquer líder que se preze teria que, naturalmente, estar completamente focado no crescimento pessoal e profissional de sua equipe. Na criação e no estímulo  interno dos super-heróis. 

Não apenas isso: qualquer pessoa que realmente quiser alcançar o sucesso profissional deve compreender que ela mesma é um ativo financeiro, um capital intelectual, um investimento que tem duas opções : ou se valoriza, ou se desvaloriza. 

Em qualquer empresa é fácil distinguir os vencedores do resto: o resto só reclama. Os que têm melhores resultados admitem as dificuldades, mas fazem algo prático – têm iniciativa.

Pensam e agem.Às vezes erram, mas geralmente acertam e ganham muito mais dinheiro do que a pessoa do lado. Sem saber, pensam exatamente da mesma forma que o McGyver: o foco dos vencedores está na solução ( o clipe ), e não no problema ( a água subindo). Enquanto os medíocres fogem, tentando negar o problema, e outra parte da equipe fica reclamando do problema, os vencedores dedicam-se a resolver o problema. 

Exemplo prático: uma empresa tem um problema de qualidade e precisa fazer um recall. A maioria dos vendedores se queixa dos problemas causados, do desgaste da imagem, do trabalho e clientes perdidos. Os melhores aproveitam o fato para atender ainda melhor seus clientes – muitos deles, ao visitar o cliente para trocar as peças defeituosas, aproveitam para provar mais uma vez seu comprometimento. 

Resultado: uma visita que tinha tudo para ser negativa acaba sendo extremamente positiva – esses vencedores já saem dessa visita com novos pedidos, alguns até maiores que os pedidos originais. 

Nesse caso, onde está o foco? Enquanto o foco da maioria está no problema, os vencedores colocam o foco na solução.Resultado? Mais clientes satisfeitos e dinheiro no bolso.Quem tem o foco na solução sempre aproveita a oportunidade. Quem tem o foco no problema já vai carregado negativamente, obtendo resultados também negativos. A maioria das coisas se repete em nossas vidas. Você pode criar círculos virtuosos ou viciosos, simplesmente dependendo do seu foco.

Então se quer melhores resultados, faça como o McGyver: pare de reclamar da água fria e comece a procurar um clipe. Tem sempre um clipe. 

 

            Desconheço a autoria