Eu
pude presenciar quando meu irmão pequeno foi apanhado em
flagrante. Ele se agachou no canto da sala, com o hinário de meu pai em
uma das mãos e com uma caneta na outra. Ele sabia que havia feito
uma arte. Meu pai acabara de entrar na sala. De longe vi que
meu irmão tinha rabiscado toda a primeira página do livro. Com
um olhar de grande temor, eu e meu irmão esperávamos pelo castigo
dele. Meu pai pegou seu hinário de estimação, olhou atentamente
para
os rabisco e sem dizer uma palavra ele sentou-se.
Ele dava muito valor aos livros e também amava muito a seus
filhos. O que ele fez em seguida foi notável. Ao invés de
castigar meu irmão, de ralhar, gritar ou repreender, ele tomou
a caneta de meu irmão e escreveu ao lado dos rabiscos:
"palavras do John, dois anos de idade, 1959. Eu
agradeço muito a Deus pelo meu filho que acaba de rabiscar o meu hinário.
Sempre o notei olhando com ternura e com muita atenção para
mim e estes rabiscos servirão para que me lembre dele
e de seus irmãos por toda a minha vida"
Eu pensei isso é castigo? De vez em quando eu pego um
livro e dou a meus filhos para rabiscarem e depois escrevo ao lado o
nome deles. E quando olho para aquela arte eu lembro de meu pai e
do quanto me ensinou sobre o que é mais importante: pessoas e não
objetos; tolerância e não julgamento; amor que está no
mais profundo do coração da família. Eu penso nessas
coisas e sorrio... E sussurro, "obrigado, papai?.
Que possamos aprender que mais valioso que um objeto quebrado, que um
bem material perdido, que um negócio não concretizado, é a paz, a
comunhão, o amor que existe em nossos corações em relação àqueles
que queremos bem.
(Prof. Menegatti)